caminho de fatima

A História dos 3 Pastorinhos de Fátima

 

O processo de Canonização

De crianças completamente normais para a época, dada a vida simples e modesta que tinham, entraram para a História, não só da Igreja Católica em Portugal e do mundo, mas também para a História da Humanidade, dado terem sido testemunhas das Aparições no local de Cova da Iria, em Fátima.

Lúcia, Jacinta e Francisco são conhecidos como os Três Pastorinhos, mas também como os “Videntes de Fátima”, a quem Nossa Senhora do Rosário apareceu por seis vezes, em 1917. Foram as três crianças escolhidas para receberem a Mensagem em que a “Senhora mais brilhante que o Sol” lhes pedia orações, sacrifícios, assim como a conserto das ofensas a Deus.

Cada um dos Pastorinhos “viu” Nossa Senhora de maneira diferente. A Lúcia foi-lhe concebida o direito de ver, ouvir e falar durante as Aparições, enquanto que Jacinta apenas podia ver e ouvir. Já Francisco apenas conseguia ver, pelo que a irmã Jacinta e a prima Lúcia lhe relatavam tudo o que tinham ouvido.

 

Lúcia

Nasceu em Aljustrel, a 22 de março de 1907. Era a mais nova de sete irmãos. Apesar da família ter passado por algumas dificuldades, a mãe de Lúcia educou todos sob a espiritualidade católica. Nas suas memórias, Irmã Lúcia relatou que em 1915 teve pela primeira vez “visões de uma espécie de nuvem”, com forma humana. É em 1916, que as três crianças recebem as manifestações do Anjo de Portugal.

A partir de 13 de maio de 1917, a primeira Aparição de Nossa Senhora do Rosário, a vida de Lúcia e dos seus primos transformou-se. Após a última Aparição, Lúcia começou uma vida retirada, esteve recolhida no Asilo de Vilar no Porto e, aos 15 anos, rumou a Espanha para o Postulando das Irmãs Doroteias. Anos mais tarde foi parar à clausura do Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, onde esteve desde 17 de maio de 1946 até à sua morte.

Lúcia foi escolhida desde o início para ser a divulgadora da Mensagem de Fátima – Segredo de Fátima: “A visão do Inferno e o pedido de devoção ao Imaculado Coração de Maria e de Consagração da Rússia”, deixando numerosos escritos, onde se encontram as principais Memórias. A terceira e última parte do Segredo refere-se à luta dos ateus contra a Igreja e descreve o sofrimento das testemunhas de fé

Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, nome que adotou quando professou os votos, veio a falecer a 13 de fevereiro de 2005, no convento Carmelita, em Coimbra. O seu processo de beatificação iniciou-se em 2008 e só em 2017 é que veio a ficar finalizado, 12 anos após a morte da vidente. A demora deveu-se à necessidade de analisar a numerosa documentação sobre Irmã Lúcia.

 

São Francisco de Marto e Santa Jacinta de Marto.

Francisco Marto, nasceu a 11 de junho de 1908, em Aljustrel, na Paróquia de Fátima. Oriundo de famílias modestas, que se dedicavam à Agricultura e ao pasto. A sua mãe, Olímpia de Jesus, era irmã do pai de Lúcia.

A sua personalidade ia ao encontro de um rapaz humilde, paciente, de poucas palavras, pacífico e com algum repúdio pela confusão e barulho. Lúcia descreveu o seu primo: “O Francisco não parecia irmão da Jacinta senão nas feições do rosto e na prática da virtude. Não era, como ela, caprichoso e vivo; era o contrário, natural, pacífico e condescendente.”

Jacinta, nasceu no dia 11 de março de 1910. Segundo Lúcia: “Ela era criança só em idade. No demais, sabia já praticar a virtude e mostrar a Deus e à Santíssima Virgem o seu amor, pela prática do sacrifício…”; “É maravilhoso como ela percebeu bem o poder da oração e do sacrifício tão recomendado a nós pela Santíssima Virgem… Eu tenho a maior estima pela sua santidade. Penso para mim mesma, que a Jacinta foi aquela que recebeu de Nossa Senhora a maior abundância de graças, e um melhor conhecimento de Deus e da virtude.  Os seus modos eram sérios e reservados, mas amigáveis. Todas as suas ações pareciam refletir a presença de Deus de uma maneira própria de pessoas adultas e de grande virtude”.

Os dois irmãos e pastorinhos vieram a falecer cedo, pouco tempo após as aparições. Francisco, mais velho que Jacinta, apenas podia ver Nossa Senhora. Foi levado com o desejo de consolar o coração de Jesus, passando horas seguidas em oração.

Francisco ficara doente em outubro de 1918, vítima de uma gripe pneumónica. Em abril do ano seguinte, confessa-se e recebe a comunhão uma última vez, morrendo a 4 de abril.

Jacinta também faleceu vítima da pneumónica, com dez anos. Nas Aparições, Jacinta via e ouvia, mas não falava. Segundo os relatos de irmã Lúcia, Jacinta terá tido várias aparições de Nossa Senhora durante a sua doença.

A 1 de Maio de 1951, os restos morais de Jacinta Marto foram transferidos para a Basílica da Nossa Senhora do Rosário. Estão ao lado dos restos mortais de Lúcia, no lado poente.

A 13 de Maio de 1952 fez-se a transladação dos restos mortais de Francisco que estão no lado nascente da Basílica.

Ao fim de 65 anos, João Paulo II decreta as virtudes de Francisco e de Jacinta, o que acontece pela primeira vez na História da Igreja Católica. A 28 de Junho de 1999, o Papa decreta sobre o milagre da cura de uma doença, obtido por intercessão dos dois pastorinhos, abrindo caminho à beatificação. O decreto pontifico concedeu, a 20 de fevereiro de 2000, que Francisco e Jacinta fossem considerados beatos. A Irmã Lúcia esteve presente na celebração da beatificação.

Francisco e Jacinta Marto foram canonizados no Santuário de Fátima, a 13 de maio de 2017, durante a Missa da primeira Peregrinação Internacional Aniversário do Centenário das Aparições, presidida pelo Papa Francisco.

Tornaram-se assim nos mais jovens santos não-mártires da história da Igreja Católica.

A canonização terá sido aprovada a 23 de março de 2017, quando Papa Francisco reconhecera o milagre atribuído a Francisco e Jacinta, sendo a última etapa do processo que se iniciou há 65 anos.

A canonização foi a confirmação de que Francisco e Jacinta seriam dignos de cultuo público universal, podendo ser apresentados aos fiéis como intercessores e modelos de santidade. A festa litúrgica de Francisco e Jacinta, até agora apenas a nível diocesano, ocorre a 20 de fevereiro.